Em dezembro do ano passado, o governo de Donald Trump estabeleceu oficialmente a Space Force (Força Espacial) como o sexto ramo das Forças Armadas do país. O objetivo seria “proporcionar liberdade de operações para os EUA no espaço, do espaço e para o espaço”, além de “fornecer operações espaciais rápidas e sustentadas” — conforme consta no National Defense Authorization Act (NDAA, ou “Lei de Autorização de Defesa Nacional”). No entanto, tratam-se de conceitos um tanto quanto vagos, e fica a pergunta: o que a Força Espacial vai fazer na prática?

Pois é exatamente isso o que o Space.com tentou responder, conversando com especialistas em política espacial nos EUA para entender melhor os aspectos práticos, caminhos e possíveis armadilhas à frente desta empreitada controversa do presidente Trump.

Mas, antes, é preciso ter em mente que a Força Espacial surgiu como uma resposta às crescentes ambições espaciais de países que não são lá muito “chegados” dos EUA, como China e Rússia, por exemplo. O sexto ramo das Forças Armadas, então, foi projetado para proteger os interesses de seu país no ambiente espacial, se e quando for necessário.

Mas será que o espaço se tornará uma zona de guerra? Bom, isso só vai ser respondido com o tempo, mas é importante lembrar que Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA, declarou em janeiro que “recentemente, China e Rússia nos levaram a um ponto em que agora [o espaço]se torna um domínio de combate”. Como resultado, o país criou a Força Espacial “para garantir que possamos preservar o espaço como um bem comum global”.

O que dizem especialistas em política espacial

(Imagem: United States Space Force)

Na visão de Joan Johnson-Freese, professora de assuntos de segurança nacional na Naval War College, a criação da Força Espacial “certamente aumenta a percepção de que os EUA estão liderando o caminho do armamento do espaço”.

Já para Theresa Hitchens, repórter espacial e ex-associada sênior de pesquisa no Centro de Estudos Internacionais e de Segurança na Universidade de Maryland, uma questão importante é saber se o Congresso permitirá ou forçará outros serviços a contribuírem com pessoal para a Força Espacial, ou se o ramo simplesmente é uma renomeação do já existente Comando Espacial da Força Aérea, sem nenhuma mudança efetiva — além de novos uniformes e patches, “desperdiçando dólares dos contribuintes”, em suas palavras.

Para Laura Frego, cientista sênior do Global Security Program of the Union of Concerned Scientists (“Programa de Segurança Global da União de Cientistas Interessados”) em Cambridge, “na pior das hipóteses, [a Força Espacial]levaria a uma corrida armamentista espacial que ameaçaria os satélites, e não os protegeria”.

E, sob a ótica de Mark Gubrud, físico e professor adjunto na Universidade da Carlina do Norte, “a existência de uma Força Espacial implica o uso potencial de força no espaço; criá-la implica ter compromisso com a capacidade de se usar força no ambiente espacial, ou seja, possuir armas espaciais”. Ele ainda coloca uma questão a se pensar: “continuaremos um caminho em direção à guerra espacial, ou renovaremos nossa busca pelo desarmamento e pela visão de um mundo livre desse terrível perigo?”. Gubrud também acredita que “precisamos de uma convenção global que diga isso: nenhuma guerra no espaço, nenhuma arma no espaço, nenhuma arma apontada para o espaço”.

Em suma, só o tempo dirá “qual é” a da Força Espacial dos EUA

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