Em 1990 foi criado na Espanha, um termo chamado Aporofobia, do grego á-poros (sem recursos, indigente) e fobos (medo). Aporofobia refere-se ao medo, rejeição e aversão à pobreza e às pessoas indigentes e moradores de rua. Esse problema dos moradores de rua afeta todo o mundo e não só os países considerados pobres e de terceiro mundo. Nos EUA estima-se que existam perto de 200 mil moradores de rua; Em Nova York, 70 mil, Los Angeles, 60 mil e no estado da Califórnia perto de 120 mil. Na Rússia, eles se chamam bomzhi que é um termo depreciativo associado ao alcoolismo, vadiagem e criminalidade. De acordo com o governo, existem perto de 10 mil em Moscou, 40 mil de acordo com a ONU. Perto de 700 morrem por causa do frio a cada inverno só em Moscou. No Japão temos uma situação curiosa pois os moradores de rua são educados, orgulhosos e muito envergonhados. Eles não pedem esmolas, não sujam a cidade e só usam as ruas durante a noite para dormir. Quando amanhece, recolhem seus pertences e vivem de catar papel e latinhas, sem pedir nada às pessoas que estão nas ruas. Existem alguns poucos abrigos, mas muitos não vão por orgulho. Já na China, a mendicância é aceita e organizada em máfias que controlam os pontos melhores para pedir esmolas. Eles não são incluídos nos números oficiais, pois são considerados como uma população flutuante.

Não existem estatísticas seguras em lugar nenhum do mundo e, no Brasil, o IBGE também não consegue chegar a um número correto, pois alega que os moradores de rua não possuem endereço fixo. Estima-se que perto de 150 mil brasileiros vivam nas ruas. São pessoas excluídas do sistema por problemas como alcoolismo, drogas, doenças mentais, desavenças com familiares, desemprego, desilusão com a vida e outros. Uma pesquisa feita pelo Ministério Social e Combate a Fome entre 32 mil moradores de rua mostrou outro dado surpreendente: 74% sabem ler e escrever, 48% terminaram o ensino fundamental e 2% completaram o curso superior e falam outros idiomas. Em São Paulo, há anos que a prefeitura instalou rampas contra estes indesejáveis inquilinos, nas áreas sob diversos viadutos, com um piso áspero, para evitar que durmam lá, pois não é adequado mostrar uma cidade cheia de moradores de rua. A prefeitura também quer acabar com a distribuição gratuita de sopa aos moradores de rua, que é feita por instituições de caridade, a não ser que ela ocorra nos albergues da prefeitura, e enquadrar criminalmente aqueles que insistirem nesta prática. As instituições alegam que isto é uma criminalização da caridade e no meio dessa polêmica, lembro que perguntaram a um morador das ruas de São Paulo, sobre o que há de pior em viver nas ruas. Ele coçou a barba, olhou para o vazio, e respondeu:

− O pior… O pior é a chuva!

Enquanto eu escrevo esta crônica, no aconchego do meu lar, cai uma chuva fina lá fora.