SpaceX tem pouco tempo para provar que Starlink tem latência inferior a 100 ms, sob risco de perder financiamento da FCC para o interior dos EUA

Vish rapaz, era bem aquilo que tanto martelamos na mesma tecla. Se confirmou…

SpaceX foi colocada numa sinuca de bico pela FCC (Federal Communications Commission), a agência de comunicações dos Estados Unidos equivalente à Anatel: a comissão acredita que a rede de satélites Starlink, lançada pela empresa e que promete fornecer internet do espaço aos consumidores, não é capaz de operar com baixa latência como diz ser.

Dessa forma, a companhia de Elon Musk tem 30 dias para provar que o Starlink funciona, sob risco de perder a preferência em uma licitação que planeja distribuir até US$ 16 bilhões para empresas de comunicações, de modo a levar internet para o interior do país.

De acordo com uma notificação (cuidado, PDF) publicada pela FCC na última quinta-feira (12), a Starlink e outras provedoras de internet que operam com satélites de órbita baixa (em torno de 570 km de altitude, contra 35.786 km de uma órbita geoestacionária) foram colocadas no paredão, ao serem questionadas por uma possível incapacidade de fornecer uma conexão de dados a uma baixa latência, inferior a 100 ms.

Essa latência alta é o equivalente a uma conexão de dados fornecida por um satélite tradicional geoestacionário, a agência acredita que a altitude não influi em nada para reduzir o ping e dessa forma, o Starlink seria uma opção pior às companhias que oferecem internet via cabo ou fibra ótica, as preferenciais nos planos de expansão da banda larga nos EUA .

Originalmente o plano de expansão iria excluir a SpaceX e outras companhias de internet via satélites de órbita baixa completamente, mas este foi derrubado pelo diretor da FCC Ajit Pai. No entanto, conforme o documento agora explica, as empresas terão que provar sua capacidade de entregar uma conexão espacial decente. O prazo é de 30 dias, e caso não consigam se adequar, estarão fora da licitação.

A FCC defende que fatores como “roteamento, processamento e tráfego no transporte de informações” são fatores que influenciam na latência, que não seriam influenciados pela altitude dos satélites, se de órbita baixa ou geoestacionários. Elon Musk, por sua vez já argumentou anteriormente que a meta da Starlink é fornecer uma conexão similar à da internet cabeada, com latência por em torno de 20 ms. Isso permitiria até mesmo jogar online.

O grande problema para Musk é o completo ceticismo da FCC, que declara ter “sérias dúvidas” se a tecnologia é viável para o consumidor final; o prazo de 30 dias para que as companhias demonstrem que a internet de satélites baixos funciona é problemático especialmente para a SpaceX, pelo simples motivo de que embora ela já tenha 480 satélites no espaço, o serviço per se da Starlink ainda não entrou no ar, e provavelmente não entrará a tempo.

Vendo dessa forma, fica parecendo que a decisão de Ajit Pai em dar 30 dias à SpaceX foi uma jogada para “permitir” que a empresa de Elon Musk tivesse uma chance, ao invés de seguir o plano original que era simplesmente lima-la da concorrência, mas divago.

Caso a SpaceX perca a chance de participar da licitação dos US$ 16 bilhões, a empresa ainda tem a opção de concorrer a outras voltadas a conexões de maior latência, mas o financiamento seria bem menor.

SpaceX, de Elon Musk, recruta voluntários para testar internet da Starlink

O site oficial da Starlink foi atualizado com uma newsletter que promete fornecer informações sobre um futuro teste beta. A SpaceX tem cerca de 540 satélites em órbita baixa da Terra que prometem fornecer internet de baixa latência ao mundo inteiro. A empresa, fundada por Elon Musk, planeja fazer o lançamento comercial nos EUA e Canadá ainda este ano; o serviço seria expandido para mais países em 2021.

A SpaceX disse à FCC, agência americana equivalente à Anatel, que a Starlink começará a oferecer seus serviços comercialmente no norte dos EUA e no sul do Canadá ainda em 2020, “e então se expandirá rapidamente para uma cobertura quase global de áreas povoadas em 2021”.

De acordo com a SpaceX, o download chegará a velocidades de até 1 Gb/s. E Musk promete que a internet da Starlink vai rivalizar com serviços terrestres: em março, ele afirmou que a rede ” está mirando em latência abaixo de 20 milissegundos, então alguém poderia jogar um jogo de resposta rápida em nível competitivo”. No entanto, a FCC exige que a empresa prove esses níveis de latência para liberar financiamento do governo dos EUA.

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