Quem de nós não tem uma panela de Teflon em casa? As chamadas panelas antiaderentes que não deixam o alimento grudar? Observo que sempre que se procura o máximo de conveniência – a falsa promessa das tecnologias que vieram para facilitar o trabalho das donas de casa – a saúde acaba ficando comprometida. E com essas facilidades, abrigamos um inimigo oculto em nossa cozinha por mais tempo do que imaginávamos.

Objetivando informar e trazer esclarecimento com seriedade, este é mais um tema presente nos casos de intoxicação, na maior parte das vezes identificado pelos médicos ortomoleculares, alguns naturopatas, homeopatas e nutricionistas que trabalham com tratamentos de desintoxicação do corpo.

Pois bem, esse é o mais controverso tipo de panela disponível no mercado, porque ouvimos dizer que se o alimento é aquecido em baixas temperaturas não é nocivo à saúde. Contudo, por meio de várias pesquisas já realizadas desde a fabricação das primeiras panelas nos EUA – oficialmente em 1954 – os resultados provaram o contrário. 

Na sua composição estão o ácido perfluoroctanóico (PFOA), o perfluoroctanossulfonato (PFOS) e o politetrafluoretileno (PTFE). A união desses compostos está registrada com o nome de Teflon, todos considerados tóxicos para o organismo por serem polímeros fluorados sintéticos. Esses componentes, por serem sintéticos, não são reconhecidos pelo corpo e tendem a acumular-se nas células com o tempo. Segundo estudos, a longo prazo podem danificar e alterar o DNA.

Quando aquecidos ou exposto a altas temperaturas, os PTFE’s liberam gases tóxicos – os fluorocarbonos – que causam sintomas similares aos da gripe. Já o PFOA e PFOS – conhecidos como produtos químicos perfluorados – estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de rim e de fígado, problemas da tireoide, de coração, colesterol alto, imunidade baixa e outras complicações que relaciono mais adiante.

Estes compostos presentes nas panelas de Teflon contêm flúor, substância comprovadamente tóxica, cujo uso já é proibido em alguns países da Europa pelos mesmos problemas de saúde citados, entre outros. Infelizmente, no Brasil ainda é largamente utilizado, principalmente na água que abastece a nossa casa. Essa união bombástica também é reconhecida como obesogênica e bociogênica, ou seja, substâncias que dificultam a absorção de iodo. Por isso, estão associadas ao hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite de Hashimoto, doença de Graves e câncer da tireoide. 

Para aqueles que desejam saber mais a fundo sobre a história de criação do Teflon – que remonta aos tanques usados na segunda guerra – seus efeitos à saúde e como o problema veio à público, indico o filme baseado em casos reais, lançado há poucas semanas no Brasil (fevereiro/2020) e chamado: “Dark Waters”, no português traduzido como “O Preço da Verdade”. Além de excelentes atores, o caso em si e os dados mencionados são alarmantes. Um deles: é provável que 99% da população tenha seus componentes no sangue.

Filme Super Recomendado: O PREÇO DA VERDADE

Mas, como o objetivo deste artigo além de informar também é prevenir, mais adiante você encontra ações e soluções para substituir esses elementos da sua cozinha e da sua rotina. Tendo conhecimento dos componentes, temos o direito como consumidores de não comprarmos produtos que os contenham, pensando na nossa saúde e nas futuras gerações.

PESQUISA: INFERTILIDADE E DANOS À TIREOIDE

Com o aquecimento, essas substâncias são facilmente absorvidas pelo corpo, inaladas através do vapor. Elas foram associadas a um número crescente de preocupações com a saúde, doenças da tireóide, infertilidade em mulheres, má formação fetal e problemas de desenvolvimento e reprodução em animais de laboratório.

Um estudo de cientistas californianos monitorou a gravidez de 1.240 mulheres dinamarquesas. Um dos professores chamou a atenção para a presença de perfluorcarbonos no sangue de muitas delas. Isto significou que a substância presente nos revestimentos de Teflon é capaz de se acumular no corpo. As mulheres com altos níveis no sangue não conseguiam engravidar por um longo tempo. As tentativas de fertilização in vitro também terminavam em fracasso.

Outro estudo realizado com cerca de 4 mil adultos, durante 7 anos, avaliou a exposição a utensílios que continham PFOA, e a manifestação de problemas de tireoide. A pesquisa descobriu que quanto maior a concentração dessa substância, maior a manifestação de alterações tireoidianas que podem levar a doenças cardíacas, infertilidade, fraqueza muscular e fadiga, osteoporose e, em casos extremos, coma ou morte.

Além de potencialmente prejudicar a glândula tireoide, esses químicos também foram associados a nascimentos de bebês de baixo peso, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Com riscos de desenvolvimento, o PFOA compromete a reprodução humana, tendo sido associado a um aumento de 60% a 154% na chance de infertilidade.

Da mesma forma, foi associado a tumores, especialmente o câncer de próstata, em trabalhadores de indústrias que lidam com esse produto, além de outros tipos de câncer: fígado, pâncreas, testículo e mama. Segundo este estudo, mesmo em níveis de exposição muito baixos, os cientistas correlacionaram o PFOA também à colite ulcerativa e o colesterol elevado.

TEFLON E DOENÇAS RELACIONADAS

Pesquisadores reuniram dados para determinar o efeito do PFOA na saúde humana. Após sete anos de pesquisas, com resultados detalhados em mais de três dezenas de publicações, ficou demonstrado que o PFOA tem causado as seguintes doenças relatadas e documentadas: 

  1. Colite ulcerativa.
  2. Colesterol alto (Acima de 700).
  3. Hipertensão induzida pela gravidez.
  4. Hipotireoidsmo e Hipertireoidismo.
  5. Leucemia; Câncer de rim, de próstata e dos órgãos genitais femininos.
  6. Toxicidade do fígado e disfunção hepática.
  7. Perturbação do metabolismo lipídico, imunológico e endócrino.
  8. Efeitos neuro-comportamentais adversos.
  9. Toxicidade e morte neonatal.
  10. Tumores em múltiplos sistemas, câncer testicular e câncer de rim.
  11. Menor tamanho e baixo peso em recém-nascidos.
  12. Obesidade, resposta imune reduzida, níveis mais baixos de hormônios e puberdade tardia.
  13. Morte de animais de estimação com penas, como canários ou papagaios. Seus sistemas respiratórios são muito sensíveis a gases nocivos. Foram relatados casos de morte de aves que permaneceram nas proximidades da panela de Teflon.

Para informações mais detalhadas e relatos de casos reais, recomendo o documentário: “The Devil We Know”

COMO PREVENIR E QUAIS UTENSÍLIOS USAR?

1) Use: panelas e utensílios de vidro, cerâmica ou inox (18/10): são fáceis de limpar e não geram nenhum risco de exposição a substâncias químicas nocivas. São as mais recomendadas também pelo custo-benefício – vide os tipos de panelas abaixo.

2) Outra alternativa: panelas de aço cirúrgico – chamadas assim por serem mais usadas na confecção de utensílios hospitalares, mas também em jóias. Recebi essa sugestão de um internauta e fui pesquisar sobre o seu uso na culinária. A eficiência é máxima porque não cria nenhum tipo de ferrugem ou oxidação, além de não ter nenhum risco de toxicidade. Nesse caso, estaria entre as mais recomendadas, mas o custo é alto. Para quem pode pagar, sem dúvida é um investimento para a saúde.

2) Evite:

  • Panelas e frigideiras antiaderentes de Teflon e similares.
  • Utensílios de Teflon, silicone e plástico (Ex: formas para bolo, pizza, cupcakes, espátulas e colheres).
  • Superfícies de aquecimento de grelhas elétricas, de caldeiras e de prensagem.
  • Sanduicheiras, crepeiras e similares.
  • Sacolas de pipoca de microondas (contém PFOA na composição).
  • Embalagens para alimentos gordurosos.
  • Embalagens para comidas congeladas.
  • Produtos de higiene bucal: cremes dentais, enxaguadores e fios dentais que contenham as substâncias relatadas ou ingredientes perfluorados (a maior parte dos fios dentais contém silicone à base dessa substância).
  • Produtos de higiene pessoal: cremes lubrificantes, de barbear e depilar.
  • Produtos de limpeza e tratamento de carpetes e móveis.
  • Produtos para retirar manchas de roupas e mobiliário.
  • Impermeabilizantes de móveis, estofados, sapatos, entre outros.
  • Cosméticos e produtos de beleza.
  • Roupas e utensílios para esporte.
  • Tintas e revestimentos para interiores.
  • Mobiliário e colchões.

Na dúvida, leia os rótulos. Se conter “ingredientes perfluorados”, PFC’s ou quaisquer uma das siglas citadas, evite comprar. Lembrando que não precisamos ficar neuróticos, apenas informados de que quanto mais produtos e utensílios estivermos utilizando – e imagine-se utilizando todos juntos – a longo prazo nossa saúde vai estar comprometida. Prevenir é apenas o início do processo, mas também uma forma de gerar economias futuras que resultariam em tratamentos médicos e medicamentos alopáticos caros.

PANELAS DE TEFLON

  • ANTIADERENTE (TEFLON, TEFAL, entre outras): Conhecidas pela capacidade de não deixar o alimento grudar e ainda reduzir bastante o uso do óleo no preparo dos alimentos. Um dos problemas é que seu processo de produção é muito poluente. Além disto, contêm dois plásticos em sua composição, o polietrafluoretileno (PTFE) e o perfluorooctanóico (PFOA). Eles são compostos tóxicos, a base de flúor, e que se soltam facilmente da panela principalmente quando está velha ou se submetida a altas temperaturas, como durante as frituras ou quando vão ao forno. Panelas deste tipo quando riscadas, então, são ainda mais tóxicas para o alimento. O melhor é evitá-las.

FONTE