IBIRUBÁ/RS – No início do povoamento, a sede da colônia foi denominada Barão de São Jacob, e pouco tempo depois o nome de General Osório. Para evitar confusões com o município de Osório, em 1938 mudou-se o nome para General Câmara. Esse nome foi novamente motivo de confusões com outro município. Na visita de um membro do IBGE ao município, foi sugerido o nome de Ibirubá, que em Tupi-Guarani significa pitangueira do mato, pois esta é uma árvore persistente que está sempre em crescimento, tal qual o município. Uma das primeiras famílias a povoar a área após a saída dos bandeirantes foi a família de Carlos Krammes. Outras famílias também deslocaram-se para a área para povoação. O município foi povoado por imigrantes alemães e italianos no século XIX.

Hoje com pouco mais de 20 mil habitantes a economia da cidade é alicerçada na agricultura, indústria metal mecânica e comércio, Ibirubá é referência para outros municípios próximos que buscam a localidade para seus negócios. Terra do cooperativismo, está sediada em Ibirubá a cooperativa agrícola mais velha do Brasil e a maior cooperativa de eletrificação rural da América do Sul.

POR QUE TÚNEIS EM IBIRUBÁ?

O surgimento dos primeiros túneis e esconderijos subterrâneos se deu em razão dos ataques de bandoleiros que saqueavam as propriedades, no período da colonização (a partir de 1899), e depois pela opressão gerada pela Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). Após o conflito, essas estruturas foram ampliadas, de acordo com vários depoimentos contundentes, até mesmo de um pedreiro, lúcido e com 90 anos, que ajudou a fazer uma casa subterrânea e três ramais de túneis a partir de 1946. Vale lembrar que não podemos generalizar quanto a relação de Ibirubá com o nazismo, pois conforme amplas pesquisas, foram algumas famílias que colaboraram, talvez por serem simpatizantes, compatriotas, parentes, por dinheiro, ameaça ou ainda pressão. Como o nosso município foi colonizado por alemães, isso acabou gerando aqui radicalismo durante o governo de Getúlio Vargas. Com o Decreto de Nacionalização em 1938, proibindo o idioma e posse de material alemão, surgiu a repressão militar, por isso os búnqueres e túneis se tornaram necessários, para se comunicar em alemão (já que muitos não sabiam falar português), fazer reuniões secretas ligadas ao Partido Nazista, ouvir as notícias da guerra, para esconder riquezas oriundas de contrabandos (armas, dólares, ouro, joias e obras de arte), além de facilitar o esconderijo e a fuga de nazistas para países do Cone Sul.

O NAZISMO EM IBIRUBÁ

De acordo com publicações oficiais, dos anos 40, o DOPs Porto Alegre (Departamento de Ordem Política e Social) realizou interrogatórios e apreensões de material e propaganda nazista em Ibirubá, onde foram descobertos muitos filiados e simpatizantes confessos do NSDAP, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Mesmo com provas concretas, mas jamais querendo desmerecer o que eles fizeram pelo desenvolvimento de Ibirubá, vamos nos resguardar de citar os nomes dos cidadãos ilustres nazistas que estavam envolvidos e que foram inclusive presos, pois o objetivo principal desse amplo trabalho que estamos realizando é a concretização do projeto turístico dos túneis, que vai projetar o nosso município ao mundo, gerando renda e progresso a todos, mas que inevitavelmente precisa de uma fundamentação histórica.

Vale lembrar que a suposta presença de seguidores de Adold Hilter, em Ibirubá, ganhou relevo nos anos 1970, após declarações do célebre caçador de nazistas Simon Wiesenthal. Autor da captura cinematográfica do carrasco Adolf Eichmann, em Buenos Aires, em 1960, Wiesenthal deu várias declarações atestando que Martin Bormann, secretário particular de Hitler e eminência parda do 3º Reich, havia se refugiado no município, onde teria se submetido a uma cirurgia plástica que o deixou irreconhecível, disse o agente israelense em 1971.

Hitler e Martin Bormann

Segundo reportagens publicadas em setembro de 1971, Zero Hora e o jornal carioca Correio da Manhã noticiaram a passagem por Ibirubá de um alemão que se apresentava como Hans Sonnenburg. Aparentando 50 anos e viciado em morfina, Sonnenburg teria exibido tatuagens da SS, a polícia secreta nazista, manifestava tendências suicidas e teria admitido a mais de pessoa que havia servido nas fileiras do Exército germânico durante a guerra. O Sr. Lauro Dessoy, 67 anos, relata que em 1962, quando era candidato a coroinha, entrou na casa paroquial para falar com o padre Chico (Franz Hümmler), e se deparou com o Martin Bormann. ”Certeza absoluta, era ele em carne e osso, só não usava uniforme. Cumprimentou-me no idioma alemão, mas daí saí assustado. Uma semana antes, eu havia lido um artigo na Revista Seleções, e não tinha como se enganar. Bormann andava antes pela Argentina, mas fugiu de lá porque Simon Wiesenthal estava nos calcanhares dele. Então fugiu para o Brasil e pediu ajuda ao padre Chico. Meus Deus, centenas de pessoas sabiam de tudo isso. Por que não aparecem e contam a história verdadeira?”, enfatiza Dessoy.

A TUBULAÇÃO DE CONCRETO INERTE E DESCONHECIDA

Na manhã do dia 1º de outubro do ano passado, a prefeitura promoveu uma força-tarefa, que resultou na descoberta de uma tubulação de concreto que termina numa parede de tijolos, a qual não faz parte das redes de água e esgoto do município, o que fez imediatamente muitas pessoas pensarem que se tratava das estruturas procuradas, pois os laudos periciais dos geólogos da UFRGS e HIDROSERV indicavam esses vazios subterrâneos. Nos dias seguintes, com o relato do ex-prefeito Olando Kanitz, além de pesquisas em jornais antigos, na Biblioteca Pública Municipal Justino Guimarães Neto, a imprensa local cogitou que aquela galeria desconhecida poderia fazer parte dos mais de 3.600 tubos de concreto instalados nas ruas centrais da cidade, no ano de 1979, na gestão executiva de ex-prefeito Neri Zeilmann (Noco), que teve continuidade na administração de Kanitz (1983/1989). Para surpresa de muitos, o chefe de obras de 1979 a 1995, Sr. Libório Müller, disse que desconhece aquela ‘‘rede fantasma’’, e se a prefeitura a colocou, foi antes de 1979. As pesquisas seguem, mas segundo alguns funcionários públicos aposentados, eles também não sabiam da referida galeria, e suspeitam que ela seja mais antiga, algo anterior aos anos 70.

No ano passado, a vereadora Patrícia Sandri (DEM) protocolou pedido de informação ao executivo municipal, que através do setor competente, fornecesse cópia dos arquivos que relatam a instalação de tubos de concreto nas ruas da nossa cidade, discriminando as datas de instalação, a quantidade, os valores e os locais que receberam os investimentos, tendo em vista a recente descoberta de uma galeria de tubulações sem destino certo, existente na Rua Flores da Cunha, fato este que fez com que a comunidade questionasse a obra subterrânea. Recentemente, o pedido foi atendido, que através de um mapa oficial, explica que a galeria questionada não faz parte das obras do município, portanto não existe documentação referente. A expectativa é que aconteçam perfurações nos demais locais indicados pelos estudos geológicos, são eles: ponto sinalizado adiante da parede de tijolos subterrânea encontrada na Rua Flores da Cunha; no cruzamento da Rua do Comércio com a Getúlio Vargas; e na frente da casa centenária (da família Fredrich) como também da Pizzaria Capital 922. A população vem questionando muito por que não há uma intervenção arqueológica nos imóveis com os acessos aos túneis, por parte da prefeitura ou IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em razão da resistência dos donos e dos transtornos com as escavações nas ruas. O prefeito Abel Grave explicou que o caso será analisado pelo departamento jurídico, após esse momento conturbado gerado pela pandemia de Coronavírus, já o IPHAN destacou que vai dialogar com os proprietários.

DEZENAS DE TESTEMUNHAS

Cortesia – Clóvis Messerschmidt (Revista Enfoque)

Desde abril de 2015, o jornalista Clóvis Messerschmidt vem perseguindo o mistério dos túneis subterrâneos de Ibirubá, ouvindo dezenas de relatos de testemunhas oculares, sempre checando as informações, embora sejam todas pessoas idôneas. Entre elas, um pedreiro que ajudou numa parte da construção, uma enfermeira que trabalhou numa casa e laboratório subterrâneos, uma senhora que foi submetida a trabalho forçado dentro das estruturas, um segurança que fugiu junto com seu patrão por um dos túneis, entre tantas outras não menos importantes. Um perfeito exemplo que toda lenda tem um fundo de verdade, é o caso da morte forjada do Dr. Frederico Ernesto Braun, que definitivamente deixou de ser lenda, após uma perícia policial confirmar que a ossada que está no referido túmulo é de outra pessoa, com características diferentes e de um óbito mais recente. Além disso, no ano passado, uma ex-enfermeira do médico e uma amiga íntima da viúva dele fizeram revelações estarrecedoras à imprensa, dando conta de um plano mirabolante praticado por ele. Infelizmente, Ibirubá tem uma história obscura que precisa ser passada a limpo, na qual também aconteceram crimes que até hoje não tiveram solução, como por exemplos, o assassinato da professora Irmintraut Sommer, em 1967, e o desaparecimento do guarda Nelcindo Dias dos Santos (Pixim), em 1988.

PROCURANDO APOIO (georadares)

Aguardando o desenrolar da pandemia de Coronavírus, Clóvis continua ouvindo novas testemunhas, que sempre agregam e reforçam os fatos já relatados, lembrando que uma parte da investigação segue sigilosamente. Além disso, ele está organizando uma força-tarefa para encontrar logo os dois túneis que existem no antigo frigorífico, conforme revelado por três testemunhas oculares. Para que isso aconteça, ele está buscando parcerias com geólogos, para rastrear e perfurar as estruturas subterrâneas com o auxílio de georadares. Também se aguarda o resultado da perícia policial dos dentes humanos, que foram encontrados nas cinzas de um dos fornos da caldeira, no antigo frigorífico Ibi.

Interessados em colaborar com informações e patrocínios podem contatar pelo fone/whats: (54) 9.9104.5037, Facebook e Instagram

VAKINHA

ABERTURA DE TÚNEIS NAZISTAS EM IBIRUBÁ-RS

Com a pandemia de Covid-19 e as eleições municipais, os trabalhos referentes à abertura dos túneis secretos em Ibirubá foram prejudicados, mas o jornalista Clóvis Messerschmidt vem buscando alternativas e decidiu dar seguimento às escavações, novamente de forma independente, buscando patrocínios para custear uma força-tarefa e perfurar todos os locais indicados nos laudos dos geólogos da UFRGS.

Para que isso seja possível, Clóvis está lançando uma vaquinha online, através da qual será possível ser um apoiador e doar qualquer valor. Colabore, pois assim você estará ajudando a desvendar o maior mistério de Ibirubá, a reescrever a nossa história e a concretizar o projeto turístico dos túneis. Avante!

APOIE AQUI

Agradecimento: Clóvis Messerschmidt (Revista Enfoque) por enviar todo o material!