2100: quatro vezes mais extremos climáticos do que agora

Em um relatório publicado nesta segunda-feira (28), o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU alerta que ações urgentes são necessárias para lidar com os riscos trazidos pelas mudanças climáticas. O documento alerta que, para evitar a perda crescente de vidas, biodiversidade e infraestrutura, é necessária uma ação ambiciosa e acelerada para se adaptar às mudanças climáticas, com cortes rápidos em emissões de gases de efeitos estufa.

“Este relatório é um alerta terrível sobre as consequências da inação”

Hoesung Lee, presidente do IPCC

O relatório também pontua que, até agora, o progresso nessa adaptação é desigual e ainda há lacunas entre as medidas adotadas e as que são necessárias para lidar com os riscos das mudanças no clima.

“Isso mostra que a mudança climática é uma ameaça grave e crescente ao nosso bem-estar e a um planeta saudável. Nossas ações hoje moldarão como as pessoas se adaptam e [como] a natureza responde aos crescentes riscos climáticos”, completou Lee.

Em agosto do ano passado, um relatório do IPCC apontou que a ação humana era responsável por um aumento de 1,07ºC na temperatura do planeta. A meta estabelecida no Acordo de Paris, em 2015, era limitar o aquecimento global a 2ºC, com esforços para que ele não ultrapasse os 1,5ºC.

Mais eventos extremos

Segundo o documento, as crianças de hoje, se ainda estiverem vivas no ano de 2100, vão passar por quatro vezes mais extremos climáticos do que passam agora – mesmo se houver apenas mais alguns décimos de grau de aquecimento na temperatura do planeta. Já se as temperaturas aumentarem por volta de 2ºC, elas verão cinco vezes mais inundações, tempestades, secas e ondas de calor do que agora, alertam os cientistas.

Com cada 0,1ºC de aquecimento, mais pessoas morrem de estresse por calor, problemas cardíacos e pulmonares por calor e poluição do ar, doenças infecciosas, doenças causadas por mosquitos e fome, dizem os autores. Se o mundo aquecer apenas mais 0,9ºC a partir de agora a quantidade de terra queimada por incêndios florestais em todo o mundo aumentará em 35%.

Segundo o relatório, até 2050, um bilhão de pessoas enfrentarão o risco de inundações costeiras devido à elevação do nível do mar. Mais pessoas serão forçadas a deixar suas casas devido a desastres climáticos, especialmente inundações, aumento do nível do mar e ciclones tropicais.

“As mudanças climáticas estão matando pessoas”, disse a coautora Helen Adams, do King’s College London. “Sim, as coisas estão ruins, mas na verdade o futuro depende de nós, não do clima.”

O relatório lista perigos crescentes para pessoas, plantas, animais, ecossistemas e economias – e destaca pessoas sendo deslocadas de suas casas, lugares se tornando inabitáveis, número de espécies diminuindo, corais desaparecendo, gelo derretendo e aumentando o nível do mar e oceanos cada vez mais ácidos e pobres em oxigênio.

Segundo o documento, pelo menos 3,3 bilhões de pessoas “são altamente vulneráveis às mudanças climáticas” e 15 vezes mais propensas a morrer por condições climáticas extremas.

“Este relatório é uma luz vermelha piscando, um grande alarme para onde estamos hoje. Pela primeira vez, o IPCC fala explicitamente da preocupação com os impactos humanitários das mudanças climáticas que já ocorrem hoje”, declarou Maarten van Aalst, diretor do Centro Climático da Cruz Vermelha Internacional e coordenador do relatório.

“Estamos sendo confrontados com riscos crescentes de desastres em muitos lugares. Mas o relatório também mostra que podemos fazer algo a respeito. Só precisamos aumentar nossa ambição dramaticamente à luz do que este relatório está mostrando que está vindo em nossa direção”, disse.

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