Constelação Familiar – Superproteção dos pais

Proteger aqueles que amamos é algo natural e essencial, mas apenas quando isso é feito de modo sadio e adequado. No momento em que isso ultrapassa uma escala de normalidade, a proteção acaba por sufocar e virar uma prisão. Vamos entender melhor o que é superproteção e de que maneira podemos trabalhá-la para que retorne aos índices de normalidade.

O que é superproteção?

A superproteção se mostra como um cuidado excessivo, que além do necessário, atinge uma postura e rotina tóxica de sufocamento com relação a alguém. Mais comum no caso dos pais, impede que outras pessoas, no caso os filhos, tenham mais liberdade para viver e serem quem são.

Muitas pessoas confundem o cuidado em demasia com algo positivo, distorcido algo que poderia e deveria ser construtivo. Na ânsia em demonstrar amor, se cria um laço vicioso em inibir qualquer tentativa de independência em alguém. Com o passar do tempo, esse tipo de postura coloca em choque ambas as partes, gerando conflitos com frequência.

De um modo geral, podemos indicar que isso se trata de uma insegurança pessoal em relação aos outros. Existe um pensamento que subestima a capacidade natural de alguém para viver sozinho. Nisso, os super protetores pensam que precisam tomar a responsabilidade pela vida dos outros.

A superproteção materna

A superproteção é algo mais recorrente entre as mães graças ao vínculo único que partilham com os filhos. Muitas delas possuem uma visão equivocada sobra a criação das próprias crianças. Em vez de deixarem os pequenos fazerem suas escolhas e aprenderem com elas, excluem esse direito criando uma bolha em torno deles.

A superproteção dos pais desfaz totalmente a proposta de se expor ao mundo para que possa aprender. Quanto à superproteção materna, a Psicanálise indica que isso pode adoecer as crianças mental e emocionalmente. Sem contar que isso pode somar aspectos negativos aos jovens, já que esse se exclui de experiências diversificadas.

Um grande exemplo da cultura pop é com os personagens Dona Florinda e Kiko do seriado Chaves. Embora a mãe mime constantemente o garoto, repudia o relacionamento com as crianças mais pobres da vila. Em parte, é isso que dá ao personagem Kiko uma postura egoísta e mesquinho em relação aos seus brinquedos e brincadeiras.

Insegurança

Como dito acima, a superproteção se mostra como uma insegurança com aqueles que se ama. Não existe uma confiança em suas capacidades naturais e se acredita que aquela pessoa não pode lidar com o mundo sozinha. A fim de evitar que este sofra, suas dores e responsabilidades são tomadas desnecessariamente.

Por mais que doa, precisamos entender que os empecilhos da vida fazem parte da nossa jornada de crescimento. Sem eles não podemos lapidar nossas qualidades, corrigir nossos defeitos e crescer na vida. A jornada rumo ao amadurecimento é definida pela distância dos degraus que usamos para subir ao futuro.

Assim, o super protetor precisa confiar nas habilidades do seu protegido e deixar que ele tome as próprias escolhas. Não projetar os seus medos nele, além de evitar transtornos, impede também qualquer interferência negativa.

Consequências

Quanto à superproteção dos pais, as consequências são sentidas de forma mais profunda e duradoura nos filhos. Sendo parte da educação que recebem, isso fica enraizado em sua postura, afetando gravemente suas perspectivas pessoais. Por conta disso que eles apresentam:

Desenvolvimento atrasado

Como dito acima, as experiências boas ou não que temos ao longo da vida ajudam na construção de nossa personalidade. Quando os pais intervêm de maneira negativa, isso gera um bloqueio no fluxo de aprendizado e crescimento dos filhos. Além do atraso cognitivo, em alguns casos, se origina uma limitação física nos menores.

Isolamento social

A exemplo do personagem Kiko, essa proteção exagerada alimenta um escudo que evita um contato social mais pluralizado e importante aos jovens. Eles acabam crescendo em uma bola, reféns dos temores dos pais. Por meio disso se alimenta o isolamento social, dificultando a aproximação com outras pessoas no futuro.

Frustração

A bolha gerada enquanto facilita o recebimento de tudo, bloqueia a compreensão sobre alguns elementos básicos da vida. Graças à falta de conhecimento sobre controle pessoal e o valor das conquistas é muito fácil que os superprotegidos se frustrem rapidamente. O fato de que muitas coisas estão além do nosso alcance é contrário à sua atual realidade.

Dependência emocional

A superproteção dos filhos acaba mexendo também em sua independência com o passar do tempo. Em algum momento haverá questionamentos pessoais a respeito da capacidade dessa criança em relação ao mundo. Nisso, os pais sempre se mostrarão um porto seguro, já que tudo ao lado deles é mais fácil e sem preocupação.

Contudo, esse tipo de costume serve como um anulador da sua identidade verdadeira. Isto é, se os outros resolvem os meus problemas, por que eu tenho de fazer isso sozinho?

Esse tipo de escudo, com o passar do tempo, vai retirar a credibilidade do jovem em relação a si mesmo. Com cada vez mais cobranças do mundo perceberá que não foi educado para ser autônomo e sempre recorrerá a alguém. Em consequência, pode demonstrar dificuldades na comunicação, falta de iniciativa e expressão deficiente de opiniões.

O poder da autonomia

A superproteção familiar deve ser vista com sensibilidade quando pensamos no destino da criança. Os pais devem servir de guias, mas sem que isso retire o espaço de atuação dos jovens. Estes precisam encarar o mundo de forma pessoal a fim de amadurecerem suas perspectivas e propostas pessoais.

Nisso, por mais preocupante que seja, deixe as crianças voar um pouco e olhar tudo de cima. Permita que caminhe e encontrem novas formas de viver a própria vida. Deixe que ela caia e se levanta sozinha, sabendo que é capaz de recomeçar.

Graças ao “deixar a criança se frustrar”, os pais podem contribuir com sinais construtivos de que seus filhos são perfeitamente sadios e capazes de tentar novamente. Uma das maiores tarefas como mãe ou pai é dar espaço suficiente para que o seu fruto cresça e amadureça.

Como trabalhar a superproteção dos pais?

De início não é nada fácil lidar com a superproteção dos pais, tanto os menores, quanto eles mesmos. Todavia, o esforço sobre esse reflexo vai permitir uma qualidade de vida mais apurada aos jovens. Essa conduta pode ser trabalhada observando alguns pilares, como:

Não fazer pela criança o que ela consegue sozinha

O desenvolvimento infantil é construído com uma série de ações, incluindo as mais simples. Caso um adulto faça algo constantemente pela criança vai retirar qualquer aprendizado que a situação possa trazer. A compreensão dos limites é vital para que o jovem se desapegue dos pais com segurança e acredite em si.

Encorajamento

Quando uma criança está em um ambiente distante do lar tem a oportunidade perfeita para colocar seus conhecimentos em prática. É o modo dela testá-los e construir as suas referências pessoais em relação à sua própria identidade e vida. Assim, encoraje o pequeno a interagir com o ambiente de forma saudável e positiva .

Aprenda a sustentar o “não”

A ideia sobre o que pode fazer ou não precisa ser sustentada quando se diz “não”. Por meio disso, os pequenos entenderão a ideia sobre limites e frustrações, colocando tudo em seu devido lugar. O uso correto do “não”, bem como mantê-lo, vai ajudar as crianças a encontrarem novos caminhos em momentos de frustração e responsabilidade.

Considerações finais sobre superproteção

Aos pais, principalmente de primeira viagem, pode ser complexa a linha entre proteção e sufocamento. Mesmo que não percebam, a superproteção dos pais cria uma bolha danosa que atrapalha o desenvolvimento sistêmico das crianças. Isso pode acabar com a autoestima dela, fazendo com que acredite não ser capaz de nada.

Embora seja difícil, evite o impulso de alimentar a não vivência dos pequenos, deixando que façam isso com mais liberdade. Limite-se a guiar, ensinar e cuidar, de modo que ele te tenha como uma referência positiva do que pode ser.

FONTE

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