Gerson de Melo Machado, o Vaqueirinho, que entrou no recinto dos leões, no zoológico de João Pessoa, tinha duas obsessões que definiram sua existência: a primeira era a mãe, que sofria de esquizofrenia, e nunca conseguiu cuidar dele, deixando-o vulnerável e solitário desde a infância. Por muitos anos, Gerson vagou pelas ruas, em busca de carinho e proteção, mas o que encontrou foram olhares de desprezo e o vazio da rejeição. A segunda obsessão era pelos leões, criaturas majestosas que ele via como símbolo de força e liberdade, uma forma de escapar de sua própria fragilidade. Fascinado por seus movimentos e rugidos, Gerson buscava neles uma conexão, algo que ele nunca teve como ser humano. Ele analisava cada comportamento dos leões, tentando entender suas vidas e sua luta pela sobrevivência. Gerson, que sofria da mesma doença da mãe, não conheceu nada além do abandono e da luta interna contra os demônios que o cercavam. Em sua curta vida, ele sonhava em ser forte como os leões, mas a realidade implacável o mantinha preso a um ciclo de dor e solidão:
Falhamos como Sociedade
